Ações e dólar recuam no início da tarde; juros sobem

07/03/2017 14:15:22

Por: Redação / Agência CMA

São Paulo – O Ibovespa opera em queda no início da tarde, dando sequência ao movimento de baixa observado desde 22 de fevereiro em meio ao clima de cautela que impera nos mercados mundiais, motivado tanto pelo avanço recente de vários índices acionários a níveis historicamente altos quanto pela expectativa em relação aos dados sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, que serão divulgados na sexta-feira (10).

Por volta das 13h30 (de Brasília), o Ibovespa recuava 0,41%, para 66.067,17 pontos. Esta é a sexta queda do índice nos últimos oito pregões. O declínio era motivado principalmente pela desvalorização de ações de empresas do setor financeiro, como Banco do Brasil (BBAS3 -1,08%), Itaú Unibanco (ITUB3 -1,07%; ITUB4 -0,52%) e Cielo (CIEL3 -2,60%).

Na semana passada, várias autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) indicaram que os juros dos Estados Unidos podem aumentar este mês caso a economia dos Estados Unidos continue apresentando um bom desempenho, com aceleração da inflação e manutenção do baixo desemprego.

Na sexta-feira, o governo do país divulgará os números sobre a criação de vagas e a taxa de desemprego em fevereiro, e o mercado aguarda esses dados para fazer o ajuste de posição derradeiro antes do anúncio da decisão de política monetária do Fed, no dia 15.

“O mercado está esperando dados de emprego nos Estados Unidos, que podem dar mais pistas sobre a elevação de juros”, disse o analista da Lerosa Investimentos, Vitor Suzaki.

O clima de expectativa se sobrepôs ao otimismo que vinha ditando o rumo do mercado anteriormente, motivado por apostas num crescimento econômico mais forte nos Estados Unidos decorrente das políticas econômicas que serão adotadas pelo presidente do país, Donald Trump – fator que levou o Dow Jones e o S&P 500 a atingirem níveis recorde recentemente.

No Brasil, também contribui para o clima de cautela os dados divulgados mais cedo que mostraram queda de 3,6% na economia em 2016, enquanto o mercado esperava contração levemente menor, de 3,5%. Foi o segundo ano consecutivo de redução do Produto Interno Bruto (PIB).

Outros fatores, porém, também influenciam o mercado doméstico, entre eles a expectativa de uma segunda rodada de repatriação de ativos, que contribui para que o dólar recue levemente ante o real.

Por volta das 13h40, a moeda norte-americana negociada à vista caía 0,15%, a R$ 3,1230 para venda. No mercado futuro, o contrato do dólar com vencimento em abril perdia 0,53%, a R$ 3.144,00. “Depois de ter mergulhado rumo aos R$ 3,05, o dólar encontrou alguma estabilidade no patamar entre R$ 3,10 e R$ 3,15”, afirmou o consultor da InvestPort, Dany Rappaport.

No mercado de juros, os investidores se apoiaram nos dados mais fracos sobre o PIB para corrigir as expectativas em relação ao efeito que o fraco desempenho de 2016 terá sobre a trajetória da Selic (taxa básica de juros).

“A análise imediata é que o PIB é um componente adicional para o BC cortar a Selic em um ponto em abril”, disse a gestora de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos, Patrícia Pereira.

Apesar disso, os investidores acompanham o clima de cautela e a aversão ao risco nos mercados globais, o que contribuía para que a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2018 subisse a 10,23%, de 10,21% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2019 estava em 9,70%, de 9,66% e o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 10,01%, de 9,96% na mesma comparação.

Edição: Gustavo Nicoletta (g.nicoletta@cma.com.br)